UNFCC - Redução de emissões é margem, não é meta 

Publicado por: Vida de estudante em Quinta-feira, 13 Dezembro 2007 as 11:13:35
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A proposta de 25 a 40 por cento de redução de emissões de gases com efeito de estufa até 2020 constitui "uma margem e não uma meta", esclareceu hoje o secretário executivo da conferência da ONU sobre clima.

    A margem de redução de emissões "é algo por que os governos anunciaram, no início do ano, que se guiariam durante as negociações" para um novo roteiro climático, acrescentou Yvo de Boer.

    O secretário executivo da Conferência Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC) respondeu, deste modo, a especulações em torno das propostas de redução de emissões de gases com efeitos de estufa na conferência que se realiza em Denpensar, Bali (Indonésia), até dia 14 de Dezembro.

    "Ao contrário de algumas notícias, aqueles números não são um juízo prévio do resultado das negociações", declarou Yvo de Boer à imprensa.

    Yvo de Boer acrescentou que os 25 a 40 por cento "não representam metas concretas de redução de emissões para os países industrializados".

    Além disso, sublinhou, "esta conferência não produzirá um acordo sobre metas específicas por país" e não é esse o objectivo da ronda de Bali da UNFCCC, que pretende, em vez disso, abrir caminho para a assinatura de um acordo global em 2009, em Copenhaga, Dinamarca.

    Delegados de 180 países discutem em Bali um roteiro climático para pós-2012, ano em que termina a vigência do actual Protocolo de Quioto.

    O Protocolo completou hoje dez anos, um dia depois do ex-Presidente americano Al Gore e do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) terem recebido o Prémio Nobel da Paz, em Oslo, Noruega.

    O aniversário de Quioto acontece também na véspera do início da fase crucial da conferência, que recebe a partir de quarta-feira as delegações ministeriais e de chefes de Estado.

    Hoje à noite (princípio da tarde em Lisboa) continuavam, na estância de Nusa Dua, as reuniões técnicas que tentam definir consensos e limar as arestas antes das reuniões de alto nível.

    Até agora, conseguiu chegar-se a acordo sobre o lançamento do Fundo de Adaptação, previsto no Protocolo mas nunca concretizado, e que financiará projectos nos países em desenvolvimento que são signatários de Quioto.

    Os signatários concordaram em estabelecer o Banco Mundial como depositário do Fundo, que será gerido pelo Fundo Mundial para o Ambiente (GEF), já a partir de Janeiro de 2008.

    A UNFCCC considera também que houve "progresso" nas discussões sobre a captura e armazenamento de carbono (CCS), com os signatários de Quioto a admitirem a inclusão de CCS em formações geológicas como actividade abrangida pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo.

    A UNFCCC salienta que esta medida é especialmente importante para os países que dependerão fortemente do carvão no futuro, uma vez que a CCS é considerada uma tecnologia importante para assegurar o uso limpo de combustíveis fósseis.

    Yvo de Boer sublinhou ainda uma terceira decisão atingida nesta ronda da UNFCCC, a de duplicar, de 08 para 16 quilotoneladas de dióxido de carbono por ano, o limite de tamanho de projectos de reflorestação de pequena escala do CDM.